Vários personagens das Escrituras são exemplos para nós da importância de darmos instrução aos filhos, e o que cabe a cada um dos pais não só como mentores, mas também como mordomos de um precioso bem que lhes foi outorgado: os seus filhos. Não foi sem razão que Salomão afirmou que aquilo que é ensinado aos filhos fica para toda a vida (Pv. 22:6).
José, "o filho do perdão"
José foi o décimo primeiro filho de Jacó e o primogênito de Raquel. Por ser o "filho da velhice" de Jacó com Raquel, desde cedo fora muito amado. Sua história e vida ilustram bem a história e vida de Jesus:
- ambos foram amados de forma especial pelos pais: Gn. 37:3; Mt. 3:17; Jo. 3:35; 5:20). - ambos foram odiados pelos irmãos: Gn.37:4; Jo.15:25; - ambos foram rejeitados pelo que afirmavam: Gn. 37:8; Mt. 21:37-39; Jo. 15: 24, 25; - os irmãos de ambos conspiraram pra mata-los: Gn. 37:18; Mt. 26: 3, 4;
Essas são apenas algumas semelhanças. A história de José ilustra claramente o que acontece hoje em muitas famílias: ciúmes, invejas, tramas, intrigas e até mesmo a morte (embora José quase morrera, graças à intervenção divina escapara ileso). Contudo, sua história também ilustra o triunfo do perdão sobre a mágoa e a rejeição.
Enciumados pelo amor dos pais que lhe era dedicado, seus irmãos intentaram matá-lo por inveja, lançando-o numa cisterna. Embora poupado da morte, fora jogado na cisterna. Mais tarde fora retirado de lá e vendido como escravo para os mercadores que rumavam ao Egito. Depois acaba sendo comprado por um oficial do Faraó. A tragédia se abate sobre sua vida novamente quando, após resistir à sedução da esposa do oficial que o comprara e acusado falsamente por ela, ele novamente é levado cativo. Dessa vez fora parar numa prisão. Entretanto, o que parecia ser o fim trágico de sua vida, era apenas o começo. Após ser usado por Deus com o dom da revelação de sonhos, interpretara sonhos de Faraó, que acabou por nomeá-lo administrador do seu palácio. Tempos depois reencontra com seus pais e irmãos, e lhes conta toda a história. Embora tivesse motivos para pagar a eles com a mesma moeda, não o fez. O perdão triunfara. Isso demonstra claramente a educação que recebera desde a infância. Foi criado debaixo das leis de Deus e fora influenciado profundamente pelo pai, Jacó, e por tudo o que ele fazia. Isso resultou em um relacionamento sólido com Deus Pai, que o tornou um grande líder e vencedor.
Samuel: "o filho da promessa"
Samuel é o filho que poderíamos chamar "filho da promessa". Por uma simples e óbvia razão: fora prometido por Deus a uma mãe estéril, Ana. Seu pai se chamava Elcana, um piedoso efraimita. Em reposta à graça concedida fora dedicado a serviço do Templo. (1Sm 1:28). Samuel foi o último e maior dos juízes, e o primeiro dos profetas.
Dado o exemplo e o ensino que receberam, Samuel se tornou um grande homem e servo de Deus, o que contribuiu também imensamente para o seu "ofício": juiz e profeta. Sua vida demonstra claramente como uma boa educação não só natural com respeito à vida, como também espiritual, podem fazer diferença para toda a vida.
Como havia prometido ao Senhor, Samuel fora dedicado exclusivamente ao Senhor e para a Sua obra. Brevemente sua vida e história junto ao povo comprovariam que a dedicação e toda a instrução que recebera desde a infância se revelaria mais tarde. De fato, Samuel foi o "filho da promessa". E a promessa era ele mesmo. O voto de Ana e a dedicação de seu filho a Deus se tornaram realidade. Esse fato ilustra claramente o poder da unção e da autoridade que os pais têm sobre os filhos.
* Jesus: "o Filho da graça"
Desde sua concepção sobrenatural e seu nascimento, Jesus fora cuidado e criado debaixo da graça, conhecimento e sabedoria de Deus na instrumentalidade de seus pais, José e Maria. Aos oito dias de vida foi apresentado a Deus no Templo, conforme ensinava a Lei (Ex 13:12). Devido à criação que recebia, Jesus ia crescendo "em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens" (Lc. 2: 52). Tal ensino e exemplo recebido dos pais fora comprovado quando, no Templo, discutia e falava diante dos mestres da Lei, fato esse que causou grande admiração pela razão de Ele ser ainda bem novo (Lc 2:46-47). Jesus também é um exemplo de submissão não só aos pais (Lc 2:51) como também às autoridades constituídas de Sua época. Estudando a Sua vida nos Evangelhos, uma coisa fica clara: devido à educação que recebera dos pais e o temor incutido em Sua vida por eles, Jesus foi e é hoje um grande exemplo não só para os pais de hoje como também para os filhos que anseiam ser uma referência para uma sociedade corrompida e perversa.
Pedriane Preto Redação Lagoinha.com |